Dados divulgados ontem pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados apontam crescimento no Estado
por SANIELE BARBOSA
estagiária
Foto: Pierry Aires
LEANDRO SOARES, que procurava emprego desde o início do ano, foi um dos contratados na cidade em junho
Os indícios de retomada da atividade econômica em Minas Gerais estão mais evidentes, conforme demonstram dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem, em Brasília, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, relativos ao emprego formal no mês de junho. Coincidentemente com o desempenho observado no primeiro semestre de 2008, em números absolutos, Minas foi o Estado que mais gerou empregos no País, com saldo positivo de 45.596 novos postos de trabalho. São Paulo (27.602), Pernambuco (9.790), Goiás (7.348) e Bahia (6.119) seguem no ranking dos estados com maior número de contratações. No total, o país contabilizou 119.495 novos empregos em junho.
Nos primeiros seis meses do ano, Minas contabiliza 80.446 novos empregos, com variação positiva de 2,36%, também acima da média nacional, que ficou em 0,94%, em consequência da admissão de 986.606 trabalhadores e 906.160 desligamentos.
Segundo as estatísticas, Minas registrou a admissão de 196.940 trabalhadores no mês passado, período em que foram desligados 141.344, resultando em um saldo positivo de 45.596 empregos, com variação de 1,32%, saldo superado apenas pelo Estado de Rondônia, que cresceu 1,65%, enquanto o país teve expansão de 0,37%.
Mais uma vez a agropecuária exerceu o maior peso para o bom desempenho registrado em junho, com 57.463 trabalhadores admitidos contra 20.072 desligados, o que resultou em um saldo de 37.391 e uma variação percentual de 11,86%. No ano, ou seja, de janeiro a junho, o saldo de empregos no campo é de mais 71.809, com a admissão de 171.655 e o desligamento de 99.846, com uma variação percentual de 25,81%. No acumulado dos últimos 12 meses, o segmento registrou 302.706 admissões contra 311.746 desligamentos.
Outro setor que tem revelado dinamismo é o da construção civil, que empregou mais 1.784 trabalhadores em junho, uma variação positiva de 0,64%, com 26.850 admissões e 25.066 desligamentos. No ano foram 152.895 contratações contra 145.358 demissões, com saldo positivo de 7.537 empregos e alta de 2,80%. Já em 12 meses foi registrada queda de 2,11%.
Também os segmentos de comércio e serviço tiveram desempenho favorável em junho, com variações, respectivamente, de 0,37% e de 0,28%. No ano, convém observar que o setor de serviços acumula um saldo de 21.103 novos empregos, em uma variação de 1,71%, por causa das 297.924 admissões contra 276.821 desligamentos.
Crise
Ainda sob o efeito da crise financeira internacional, que começou a ser percebida em Minas em setembro do ano passado, a indústria extrativa mineral, um dos carros-chefes da economia estadual, acusou retração de 0,20% em junho e de 1,23% no primeiro semestre de 2009, e de 2,60% em 12 meses. Já a indústria de transformação começou a reagir no mês passado, com a criação de 441 novos empregos, saldo relativo a 26.830 admissões contra 26.389 desligamentos.
MÃO-DE-OBRA
A exemplo do mês passado, a economia tem se mostrado mais dinâmica para a absorção de mão-de-obra no interior do Estado, com seu desempenho atrelado, em grande parte, às atividades de cultivo de grãos em geral, entre eles o café. Já a Região Metropolitana de Belo Horizonte registrou acréscimo de 2.591 empregos formais (+0,20%), demonstrando que também continua exercendo forte atratividade.
Em Governador Valadares o vigia Leandro Soares de Moura, 23 anos, também faz parte do quadro de trabalhadores com emprego formal. Leandro procurava emprego desde o início do ano, mas só no último mês conseguiu se empregar. Segundo ele, a inserção no mercado de trabalho está cada vez mais difícil. Distribuir currículos e recorrer ao Sistema Nacional de Emprego (Sine-GV) foram os fatores que contribuíram para que Soares esteja trabalhando atualmente. "Dei sorte de conseguir emprego agora, estava procurando desde fevereiro. Sugiro para aqueles que estão correndo atrás que continuem a buscar e, quem já encontrou, assim como eu, agarre essa oportunidade. Na minha opinião, a qualificação conta, e é essencial para se manter empregado", disse.
A estudante e atendente em uma gráfica da cidade, Priscila Ferreira de Souza, 16 anos, também trabalha na área de serviços. Ela, que nunca tinha sido funcionária de uma empresa, acredita que essa é uma boa oportunidade para adquirir experiência. "É muito difícil a atuação dos jovens no mercado de trabalho. Estou começando mais cedo para não ter dificuldade depois. Estou gostando muito de trabalhar aqui e acho que a indicação para o cargo tenha sido um dos fatores que contribuíram para eu atualmente empregada", observa.