Maria das Dores é a única filha ainda viva do fundador de Imbé de Minas, Manoel Joaquim Theodoro.
IMBÉ DE MINAS -
Àqueles que pensam que a vida é tristeza, martírio e castigo, a história centenária de Maria das Dores Theodoro de Oliveira, ou simplesmente Tia Dodora, é um exemplo vivo de luta, persistência e vitória. Perto de completar 107 anos de vida, certamente uma das pessoas com data de nascimento mais antiga na região, mantém-se atenta a tudo e a todos.
Por conta do Dia Internacional da Mulher, comemorado amanhã, a reportagem do DIÁRIO, passou a primeira parte do dia de ontem na companhia da senhora, em sua residência, na cidade de Imbé de Minas, onde nasceu e vive com a filha Maria das Graças Brandão. De baixa estatura, olhos claros e atentos a todos os detalhes, Dodora, apesar da idade avançada, recorda de quase tudo que vivenciou em mais de cem anos de vida.
Devota de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, até bem pouco tempo não perdia um dia de missa, na igreja matriz, próxima à sua casa. Mesmo com a transferência das celebrações para uma capela mais distante, ela não deixou de render graças à santa protetora. Para isso conta com o auxílio da neta, companheira nas tarefas diárias.
Maria das Dores é a única filha ainda viva do fundador de Imbé de Minas, Manoel Joaquim Theodoro. O desbravador das terras de Santana do Imbé teve dez filhos com Rita Tereza de Jesus, mãe de Dodora. Ela, no entanto, teve apenas um filho, Manoel Luís Brandão, nove netos e dezessete bisnetos.
Boa parte da vida passou em Caratinga, onde manteve aberto por longos anos o Hotel dos Viajantes, em cima de onde hoje funciona a Farmácia Indiana, no início da Rua Raul Soares. Desfez-se do comércio e retornou à terra natal, onde permanece até os dias atuais. Dodora conta que estudou apenas o primário, mesmo assim porque o pai, de alto poder aquisitivo para a época, podia contratar professor particular, prática comum entre as famílias de mais posses. “O professor Arlindo veio de longe a cavalo para dar aula pra mim”, recorda sorridente.
Enquanto o neto, Amir Theodoro, acompanhante na reportagem, rascunhava os nomes de seus irmãos, a uma distância considerável, Dodora lia o que ele escrevia e ainda elogiava a sua caligrafia. Ela jamais usou óculos, segundo a neta. Não teve que corrigir a visão, senta-se à mesa para o café como se tivesse pouco mais de vinte anos e ainda transparece no olhar uma felicidade de emocionar. “Ela vê beleza em tudo e sempre está alegre”, disse a neta, a quem chamam de Brandão. A família prepara para o início de abril, grande festa para comemorar os 107 anos de Maria das Dores, carinhosamente chamada de Tia Dodora.