Criador e padrinho da candidatura da petista Dilma Rousseff ao
Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser o personagem
principal do primeiro programa de TV da ex-ministra. A propaganda
eleitoral no rádio e na TV começa oficialmente no dia 17 de agosto.
Num papel até agora pouco comum para ele ? o de apresentador de TV ?,
Lula pretende mostrar Dilma ao eleitorado não só como a responsável
pelas grandes obras de seu governo, previstas nos PACs 1 e 2 (Programa
de Aceleração do Crescimento), mas também como a garantia de que nenhum
programa social, como o Bolsa-Família e o Minha Casa, Minha Vida, será
mudado caso ela seja eleita. E, se houver mudança, será para incluir
mais gente nos programas.
O jornalista e marqueteiro João Santana, responsável pelos programas
da candidata petista, tem feito de tudo para manter segredo sobre o
conteúdo da propaganda eleitoral. O veto ao acesso aos locais onde os
pilotos dos programas têm sido gravados inclui até mesmo a assessoria do
comando da campanha.
A ideia, segundo os coordenadores da campanha de Dilma, é fazer um
programa leve, com muita informação a respeito do governo de Lula e do
que a candidata poderá fazer a mais do que o seu padrinho fez nos quase
oito anos de governo. Sempre que Dilma aparecer, haverá ao lado uma bola
com o Cruzeiro do Sul, num azul que, aos poucos, vai mudando de cor,
até se tornar branco e, em seguida, verde-amarelo.
Como o programa é longo, com mais de 10 minutos, João Santana está
armazenando o máximo possível de cenas externas, que serão enxertadas
entre uma fala e outra da candidata.
Tudo às escondidas dos meios de comunicação, ele gravou uma visita de
Dilma ao Chuí, aproveitando uma passagem da candidata pelo Rio Grande
do Sul; levou-a a um projeto de agricultura familiar bem-sucedido em
Padre Bernardo (GO), a cerca de 120 quilômetros de Brasília; e fez com
que a candidata caminhasse pela Esplanada dos Ministérios por volta das 6
horas, com imagens do belo nascer do sol.
A exemplo do que fez nos programas da candidatura de Lula à
reeleição, em 2006, João Santana pretende usar muitos efeitos especiais,
com bastante didatismo. Sempre que fizer menção ao petróleo existente
na camada do pré-sal, por exemplo, mostrará gráficos com a profundidade
do óleo e a engenharia e a logística para retirá-lo. A intenção é atrair
a curiosidade do telespectador.
Em tom ufanista, o programa de Dilma dirá que o Brasil tornou-se
autossuficiente em petróleo devido ao apoio dado à Petrobrás pelo
governo de Lula. E sempre que se falar em petróleo, haverá o contraponto
da energia limpa dos biocombustíveis.
O Brasil será sempre apresentado como líder no mundo na produção de
energia que não emite gases de efeito estufa, entre eles o carbônico. O
tema será associado às hidrelétricas, que emitem o mínimo de gases. A
construção de Jirau e Santo Antonio, no Rio Madeira, será
automaticamente associada a Dilma, assim como a licitação para a Usina
de Belo Monte, no Rio Xingu.
Um locutor vai dizer que o País não corre mais o risco de ter um
apagão na energia elétrica, como ocorreu em 2001 e 2002, durante o
governo de Fernando Henrique Cardoso. Para a propaganda de Dilma
Rousseff, com Lula e a candidata, esse tipo de ameaça não existe mais.
Europa. Além das imagens em caminhadas e comícios, de gráficos e
apresentação de programas do atual governo, Dilma contará ainda com
imagens que pelo menos até agora seu principal adversário, o tucano José
Serra, não tem. Trata-se dos encontros que manteve na Europa com os
presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da União Europeia (UE), José
Manuel Durão Barroso, e com os primeiros-ministros da Espanha, José Luís
Zapatero, e de Portugal, José Sócrates. Essas reuniões ocorreram
imediatamente depois de Dilma ser confirmada candidata à Presidência por
convenção do PT. A viagem dela à Europa durou oito dias. O encontro com
Sarkozy no gabinete do presidente francês não pôde ser gravado.