A Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoas (DHPP) concluiu ontem a investigação sobre o desaparecimento de Edimilson Alves Fernandes, de 43 anos, sumido desde o dia 2 de março deste ano. O delegado Luciano Cunha de Lima reuniu a imprensa para dar detalhes da investigação, que já durava cerca de 80 dias, com indicativo de a vítima ter sido assassinada. Contudo, o corpo ainda não foi encontrado.

Ao levantar diversas provas e concluir que Edimilson tinha sido mesmo assassinado, o delegado pediu e conseguiu com a Justiça a decretação da prisão preventiva de quatro suspeitos do crime: Theophilo Gonçalves da Cunha Neto, de 22 anos; Uildo Alves Rodrigues, conhecido como “Branco”, 43; Rossini Alves Dias, 38; e Larissa Modesto da Silva, esposa de Theophilo, 26. Todos foram presos, mas não revelaram os motivos do homicídio.

De acordo com o delegado, no sábado dia 3 de março a mulher da vítima, V.C.F., de 37 anos, compareceu à delegacia para relatar que seu marido estava desaparecido desde a noite anterior e que ele tinha recebido uma ligação telefônica por volta das 21h10, de um homem solicitando a entrega de um gás de cozinha do seu estabelecimento comercial. Ainda segundo a mulher, Edimilson teria saído em uma motocicleta Cargo branca. O delegado disse que, após 72 horas do registro da queixa de desaparecimento, as investigações convergiram para um caso de homicídio.

Mais de dois meses depois, o delegado concluiu que a vítima foi assassinada numa emboscada, e que os irmãos Uildo e Rossini, ex-agentes penitenciários, o mataram no interior de um galpão no bairro Nova Vila Bretas, na parte de trás da residência de Theophilo, sendo este um dos suspeitos da prática do crime. Também ficou confirmado que a ligação telefônica feita para atrair a vítima ao encontro de seus algozes foi originada do aparelho celular da suspeita Larissa, mulher de Theophilo. Durante os depoimentos os suspeitos caíram em várias contradições, sendo os seus álibis desmascarados pelos laudos e levantamentos do setor de inteligência da Polícia Civil.

 

Moto no fundo da lagoa

Na sequência das investigações, no dia 25 de abril, os investigadores receberam a informação de que a moto da vítima havia sido localizada queimada no fundo de uma lagoa numa propriedade rural próxima de Valadares, em local de difícil acesso. Segundo o delegado, na propriedade a porteira fica trancada, tendo sido preciso acionar o Corpo de Bombeiros para ajudar fazer o resgate. No dia 2 de maio, já com fortes indícios da participação dos suspeitos, foram decretadas as prisão preventivas deles. Theophilo foi preso em sua residência, no bairro Nova Vila Bretas.

Uildo foi preso em estabelecimento comercial no bairro Nossa Senhora de Lourdes onde trabalhava como segurança, onde também foram apreendidos dois celulares. O suspeito Rossini, sabendo do mandado de prisão contra si, apresentou-se no dia 22 de maio na delegacia e recebeu voz de prisão. No dia 4 de junho (segunda-feira) foi a vez de Larissa se apresentar na delegacia, e ela também foi presa.

Conforme apurado pelo delegado, os suspeitos já são conhecidos do meio policial. Uildo responde por processo na comarca de Peçanha devido a indiciamento por tentativa de homicídio duplamente qualificado; Rossini foi preso e condenado por comércio ilegal de arma de fogo, tendo deixado o presídio no início de novembro de 2017; Theophilo, apesar de não possuir condenação, é suspeito no envolvimento em crime de roubo praticado em um posto de combustível no bairro Vila Isa, o qual contou com o envolvimento de sua esposa Larissa na prática delituosa, assim como no crime contra Edimilson. O delegado disse que os suspeitos foram presos e encaminhados ao Presídio local, onde permanecerão à disposição da Justiça.”Os suspeitos foram indiciados por crime de homicídio, ocultação de cadáver e crime de dano qualificado, com uso de substância inflamável para queimar a moto”, concluiu o delegado.