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sábado, 9 de julho de 2016

‘O agronegócio é o único que está sobrevivendo à crise’

O presidente da URRD, Cantídio Carlos Ferreira, fala sobre as conquistas e metas de sua gestão e das expectativas
FOTO: Marcos Furtado
GOVERNADOR VALADARES -

Engenheiro civil por formação, Cantídio Carlos Ferreira teve seu destino reservado no agronegócio. Seguindo os passos do pai, Carlos Ferreira da Silva, o pecuarista percorreu um longo caminho até chegar à presidência da União Ruralista Rio Doce (URRD), que está completando 50 anos. Neste bate-papo com o DIÁRIO DO RIO DOCE, Ferreira conta como surgiu o convite para presidir a URRD, as conquistas e metas de sua gestão. Falou ainda do crescimento da pecuária de corte, das necessidades da região em relação ao agronegócio e apontou medidas necessárias para o avanço na cadeia leiteira em Valadares. Além, é claro, das expectativas para a 47ª edição da Expoagro, que teve início na última quinta-feira. 

DRD - Como surgiu o convite para a presidência da União Ruralista Rio Doce?

Cantídio Carlos - Como engenheiro, exerci minha profissão por muitos anos, fora de Governador Valadares. Mas, com o falecimento da minha mãe, retornei à cidade para ajudar meu pai na fazenda. Como não tinha muito conhecimento sobre agronegócio, comecei a participar das palestras do Sindicato Rural e das entidades ligadas ao setor. Aos poucos fui me entusiasmando com o negócio e tomei gosto pela agropecuária. Com a morte do meu pai, tive que assumir definitivamente os negócios da família. Na gestão anterior, do André Merlo, fui tesoureiro. E ao final do mandato colocaram meu nome à disposição para assumir a presidência. Fui empossado em outubro do ano passado. Como meu pai também passou por aqui, é uma satisfação enorme dar continuidade à historia da minha família. Hoje me sinto realizado de ter escolhido a atividade rural. Nada disso aconteceu por acaso. 

DRD - Qual sua visão do agronegócio em nossa região?

Cantídio Ferreira - Olha, o agronegócio é o único setor que está sobrevivendo à crise econômica. Porém, em função do déficit hídrico, os produtores de Valadares e região estão sofrendo com a queda na produção. Os preços estão bons, mas os custos continuam altos. 

DRD - Com a queda na produção da cadeia leiteira, muitos pecuaristas migraram para a pecuária de corte. Você também apoia essa mudança?

Cantídio Ferreira - Eles não têm escolha. Isso ocorre devido à variação nos preços dos insumos recebidos pelos produtores de leite, não só do Estado mais de todo o País. Também acho que, depois da ida de muitos valadarenses para os Estados Unidos, diminuiu a nossa mão de obra. Quando a produção cai, eles não têm saída a não ser a pecuária de corte, porque não necessita tanto de mão de obra, como para o leite, com a aplicação da ordenhadeira mecânica. Basta ter uma área plana e bem adubada para plantações de milho e sorgo. O gado engorda mais rápido, em menos tempo.

DRD -Vamos falar da Expoagro 2016. Qual sua expectativa para a última semana de atrações?

Cantídio Ferreira - Nossa expectativa é muito grande para realizarmos uma Exposição ainda melhor que a do ano passado. Então, temos uma programação de palestras de excelente nível sobre vários temas, especialmente pensados para o produtor rural. Um ano mais do que especial para nós, pois estamos comemorando 50 anos da URDD. Nossos 134 fundadores foram homenageados na festa de abertura. Teremos 12 leilões, entre bovinos e equinos, concursos leiteiros, julgamentos das raças gir, guzerá e girolando, que são as raças que predominam  na região. A solicitação de argolas foi enorme. Aproveitando a oportunidade, convido todos os produtores rurais a participarem das nossas palestras. Não será cobrada nenhuma taxa de inscrição. Vamos apenas compartilhar conhecimento.

DRD - Dentre as palestras e seminários inseridos na programação da Expoagro este ano, qual tema é mais importante para o produtor rural?

Cantídio Ferreira - Nós temos vários temas importantes para os produtores rurais. Mas, muito em função do déficit hídrico em nossa região, o foco maior será no manejo nas irrigações e manejo de pastagens. Pois a preocupação do produtor deve ser da porteira para dentro. Em Valadares praticamente não se via falta de chuva, o índice pluvial era de 800 a 900 milímetros. Em 2016 nós já estamos indo para o quarto ano com a pior baixa na média histórica de chuvas. Portanto, alguns projetos de irrigação podem salvar o ano dos pecuaristas. O que deve ser feito é o produtor querer investir em tecnologia na produção

DRD - Quais foram as principais conquistas da URRD ao longo destes 50 anos?

Cantídio Ferreira - Olha, foram muitas. Fica difícil lembrar cada uma. Mas, sem dúvida, uma das maiores conquistas da URRD foi impulsionar não só o agronegócio, mas também melhorar a genética do rebanho de raças zebuínas da nossa região, principalmente as raças nelore, gir e guzerá, predominantes aqui. Além disso, em termos de infraestrutura, eu garanto que o nosso parque é o melhor da região. Viajo muito para fora do Estado e não vejo nada que a gente já não tenha. Nestes 50 anos, conseguimos manter a Expoagro como a maior feira agropecuária do Leste de Minas. Todas essas conquistas são resultado de um trabalho voluntário e da contribuição dos nossos associados.

DRD - Quais os planos à frente da URRD e para a Expoagro?

Cantídio Ferreira - Continuar fomentando o agronegócio local, dando continuidade aos leilões, seminários e outras atividades que movimentem o Parque [de Exposições], inclusive trazendo as entidades parceiras. Fomentar essa união dos produtores e trazer novos associados para a URDD. Hoje nós somos um pouco mais de 700, mas meu objetivo é aumentar esse número até o final da minha gestão. Sobre a Expoagro, a URRD sempre trabalha para trazer o melhor do agronegócio e do entretenimento para Valadares.









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