Um investigador, que junto com o delegado tentou extorquir dinheiro de uma mulher, em 2016, foi condenado a dois anos de reclusão, mas teve a pena substituída por prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, por sete horas semanais, e pelo pagamento de duas cestas básicas, destinadas ao Juízo de Execução Penal. A sentença decretou ainda a perda dos cargos dos policiais.

Segundo o promotor de Justiça Francisco Ângelo Silva Assis, da 10ª Promotoria de Justiça de Ipatinga, a Corregedoria da PCMG e o Gaeco Ipatinga monitoraram os encontros para a entrega de valores, por meio de gravações de conversas e de mídias sociais, num trabalho investigativo conjunto, que resultou na condenação.

Consta na sentença que a vítima, uma mulher que havia sido presa em Ipatinga, havia denunciado, em acordo de colaboração premiada, as ameaças dos policiais exigindo dinheiro para não incriminá-la com outras acusações.

Conforme apurado, entre 3 de janeiro e 10 de março de 2016, o delegado exigiu R$ 8 mil da vítima, ameaçando tomar providências criminais contra a mulher, posta em prisão domiciliar no final de agosto de 2016, depois de cinco meses presa por suposta clonagem de veículos e receptação.

Posteriormente, a Corregedoria da Polícia Civil, o MPMG e o Poder Judiciário tomaram conhecimento de que o delegado havia ameaçado instaurar inquéritos policiais contra a mulher, caso ela não lhe pagasse entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, já que ele tinha em mãos registros de carros clonados que poderiam ser imputados a ela.

Esse fato criminoso foi captado por gravação de áudio, em 5 de setembro de 2016, nos arredores da delegacia, onde se combinou que o dinheiro exigido pelos policiais seria entregue no dia seguinte. Durante o encontro, marcado numa churrascaria, policiais que estavam de campana conseguiram ver e gravar o negócio ilícito. O investigador foi localizado próximo à delegacia e preso em flagrante.

O delegado conseguiu fugir do flagrante, mas, com a decretação da prisão preventiva, ele se apresentou na 4ª Subcorregedoria de Polícia Civil, em Belo Horizonte, onde foi preso e encaminhado à Casa do Policial.