Foi sepultado na última segunda (7) no Cemitério de Santo Antônio o cantor, compositor, instrumentista e empresário cultural Jacenguay Souza Pettersen, o Guay, de 61 anos. Ele estava em tratamento em Belo Horizonte, depois de ser acometido de graves problemas de saúde, diagnosticados como mieloma múltiplo e amiloidose, doenças que afetaram seu coração. Na casa de familiares, o artista teve uma parada cardíaca por volta das 23 horas de sábado (5).

O prefeito André Merlo decretou luto oficial de três dias no município em razão da morte do músico. A homenagem é em memória ao legado de trabalho e cidadania e em respeito à atuação de Guay na cultura de Valadares, onde ele começou sua carreira profissional aos 17 anos.

O Decreto 10.735, de 7 de maio de 2018, levou em consideração a relevante participação do artista em diferentes movimentos culturais da cidade, na condição de um dos protagonistas dos seus períodos de maior efervescência e produção musical. Para reforçar essa consideração, a prefeitura lembra a indiscutível qualidade técnica como instrumentista e compositor que levou Guay a posição de liderança e agregação no meio cultural local, na condição de ícone e representante maior da música valadarense.

O cantor também marcou época na cidade na direção do Bar do Guay, na rua Sete de Setembro, próximo ao estádio do Democrata. Vários músicos locais e de fora foram lançados no bar, que primava pela boa música ao longo da noite.

Segundo o irmão mais velho do artista, Jaime Pettersen, residente em Belo Horizonte, Guay iniciou seu tratamento em dezembro do ano passado, seis meses depois de sair o diagnóstico da doença da qual que os médicos já suspeitavam. Como o tratamento era mensal, o músico ia à capital, fazia-o e retornava a Valadares.

O sintoma mais presente era o cansaço que o músico sentia primeiramente para respirar, em seguida também para caminhar, comprometendo seu dinamismo diário, fazendo com que ele ficasse a maior parte do tempo parado. “A vida com o Guay sempre foi muito boa, hilariante. As histórias que ele contava eram muito engraçadas. Pessoa da paz, que nunca foi de brigar e que procurava sempre estar bem com todos. A preocupação dele era não incomodar ninguém, e com isso se tornou dependente de si mesmo. Viveu conforme ele quis e com certeza deixa uma saudade muito grande”, reforça o irmão.

Trajetória

Nascido em Alvorada (MG), Guay começou a carreira profissional aos 17 anos em Valadares. Integrante do lendário grupo Temucorda, no final dos anos 70, gravou seu primeiro vinil, “Sangria”, pela gravadora Copacabana. Também com o Temucorda gravou o segundo vinil, “Voo Livre de um Pensamento”, pela gravadora Phoenix.

Com a dissolução da banda, em parceria com o irmão também músico Housemberg Pettersen, o Velho Rosa, gravou seu terceiro trabalho, dessa vez de forma independente: “Velho Rosa e Guay”. Sua parceria mais recente é com outro irmão, Hausenclever Pettersen, que deu origem ao CD “Dr. Hausen & Mr. Guay – In Concert”, que será lançado este mês, em BH. Guay deixa um casal de filhos.

Músicos já programavam noite de homenagem a Guay para esta 5ª-feira

Já estava tudo programado desde a semana passada — e ainda não se sabe se vai acontecer — a segunda edição do “Show Amigos do Guay”, para quinta-feira (dia 10), no Garfo Clube. A intenção de músicos valadarenses era promover um show em homenagem ao artista e também angariar recursos para o seu tratamento. À frente do evento, o empresário Pedro Ramúcio Coelho informou que a morte do músico pegou a todos de surpresa. “Agora é esperar os ânimos se acalmarem e digerirmos melhor tudo isso”, disse.

Alguns músicos incluídos na programação dessa homenagem dão o último adeus a Guay e expressam sua admiração pelo artista. Um deles é Cléber  Machado:  “Guay, exemplo de profissional e de pessoa também.”

“Tive o privilégio e a sorte de ter como parceiro um espírito de luz irradiante que emanava e contaminava ao ponto de nos levar mais perto de Deus, uma grandiosidade humana imensurável, meu mestre das cordas. Obrigado por tudo.” Marcelinho Tiradentes

“O Guay é uma referência musical, músico e pessoa maravilhosa, merecia todo o carinho e toda a nossa mobilização para ajudá-lo a sair dessa e voltar aos palcos. Mas já que saiu do meio de nós, vai deixar muita saudade, por ser uma pessoa do bem, diferente, de paz, com quem tive o prazer de tocar. Ficam a saudade e o agradecimento pela passagem dele aqui.” Rodolfo Gusmão

“Guay está entre os 10 melhores corações daqui. Tocando junto com ele ouvi de Osvaldo Montenegro a Turíbio dos Santos, considerado um dos maiores violonistas do País. Seu talento e dedicação ao dom geravam noites lindas aos nossos ouvidos. Em qualquer lugar que toca deixa tudo para que as pessoas possam se alimentar da arte que ele é capaz de produzir”. Carlos Giacomin

“Valadares perdeu uma referência musical. Exímio violonista e guitarrista, além de ser uma pessoa extraordinária. A banda Penakids Blues Band perdeu o guitarrista fundador… e eu perdi mais que um amigo, um irmão.  Ficam agora lembranças e saudade.” Paulo Pena